É seguro realizar o Carnatal em meio à pandemia de Covid-19? Especialistas respondem


Natal sediará o maior carnaval fora de época do mundo em meio à pandemia de Covid-19. O Carnatal, que é tradição na capital potiguar, acontecerá no mês de dezembro. O retorno do evento divide opiniões: há quem conta os dias para pisar no corredor da folia, há quem critica a realização. A pandemia influencia nessas duas posições. Enquanto uns querem entretenimento após um longo período de privação de festas, outros temem que o evento agrave o cenário da crise sanitária no Rio Grande do Norte.

Para o diretor do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LAIS/UFRN), professor Ricardo Valentim, a redução no número de mortes, casos e internações em UTI causados pela Covid-19 mostram que o Rio Grande do Norte tem “ambiente seguro, inclusive para realização do Carnatal e de outros eventos que demandem população”. O pesquisador pontua que o cenário da pandemia é de “estabilidade e controle”.

“Observando o que acontece no estado, no Brasil e no mundo, percebemos a presença de dados favoráveis. E a tendência é que os dados continuem em redução, mas, para isso, é necessário que as pessoas concluam o esquema vacinal e continuem usando máscara. Para que o evento seja seguro, é necessário que todos os que estiverem presentes nele estejam devidamente imunizados, com as duas doses”, comenta Ricardo Valentim.

O Carnatal, a ser realizado de 9 a 12 de dezembro, fará controle de acesso, permitindo a entrada mediante apresentação da Carteira de Vacinação Digital ou Certificado Nacional de Vacinação, comprovando a conclusão do esquema vacinal para participação no evento. Tal requisito não minimizou o interesse dos foliões em correrem atrás do tiro, no entorno da Arena das Dunas, na zona Sul de Natal. Para se ter ideia, as vendas dos abadás do 1º lote do bloco “Vumbora” esgotaram em menos de três horas após o inicio das vendas, que começou na tarde de quinta-feira 7.

“É necessário que todos sigam os protocolos preconizados pelo Governo do Estado e pelos munícipios em que forem realizados. Os dados assistenciais mostram que não há pressão por leitos de UTI, mesmo com a redução na oferta deles. Temos menos pessoas adoecendo por dia, e, analisando isso, junto com os demais dados epidemiológicos, percebemos que é um cenário seguro”, esclarece o diretor.

Ricardo Valentim esclarece, ainda, que o repique – ou seja, o aumentado nos números dos dados epidemiológicos e assistenciais – é “natural”, já que “todas as atividades econômicas e escolares estão em processo de retomada. Natal é uma cidade turística, tem recebido pessoas pelo aeroporto. Então é normal aumentar a circulação do vírus quando aumenta a circulação da população. Porém, a imunização tem sido uma barreira de proteção à sociedade, evitando pressão no sistema de saúde”.

Já para José Dias do Nascimento, astrofísico e professor do Departamento de Física Teórica e Experimental (DFTE), da UFRN, a realização do Carnatal deve levar em consideração outros fatores, como a proteção dos imunizantes às variantes já descobertas, como a Delta. Ele destaca, ainda, que a “imunidade adquirida pela vacinação não é eterna para todo mundo, na mesma proporção”.

Ele destaca que tem-se registrado uma queda consistente no número de casos por semana epidemiológica no Rio Grande do Norte, o que causa também o movimento de queda no número de óbitos. No entanto, o professor diz perceber que, apesar da vacinação e seus avanços, o número de óbitos se mantém em um patamar que mostra que a doença não desapareceu.

“Isto é visto também no número de casos. Isto é sem dúvida um fato preocupante, pois em uma festa como o Carnatal, apesar dos divulgados critérios de segurança, as pessoas não devem manter distanciamento social e tão pouco vão usar máscaras o tempo todo. Então, possivelmente, o evento vai causar um sobressalto nas distribuições e, obviamente, fatalidades devem acontecer devido ao aumento da dinâmica de contágio nos dias de Carnatal”, argumenta.

Nesta sexta-feira 8, o Rn completou três dias seguidos sem mortes causadas pela Covid-19, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap). Na avaliação de José Dias, “o Carnatal pode, sim, quebrar esta suavidade e inserir alguma perturbação imprevisível na situação atual dos dados, pois o limiar de segurança não foi amplamente atingido”.

Fonte: AgoraRN

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