Fátima fica no governo e aposta tudo em Samanda para o Senado

A governadora Fátima Bezerra decidiu: não vai renunciar ao cargo para disputar o Senado. E, ao contrário do que muitos imaginavam, a decisão não veio por pressão do PT nacional — veio justamente pela ausência dela. Sem articulação, sem sinalização política e, principalmente, sem apoio estruturado para garantir maioria na Assembleia Legislativa, o cenário ficou instável demais para arriscar uma renúncia.

Nos bastidores, o clima foi de incerteza total. Sem um nome consensual para um mandato tampão de quase nove meses, começaram a surgir hipóteses de todos os lados — de nomes técnicos a articulações mais ousadas, como a possibilidade de movimentações estratégicas envolvendo o vice-governador. Nada sólido. Tudo volátil. E política, quando vira loteria, raramente termina bem.

Diante disso, Fátima fez o movimento mais seguro: permanece no cargo até o fim do mandato, em 31 de dezembro. Mais do que uma decisão administrativa, é uma escolha estratégica — afinal, abrir mão do governo agora poderia significar entregar os últimos meses de gestão nas mãos de um adversário político.

Mas engana-se quem acha que ela saiu do jogo eleitoral.

Fátima muda de posição, mas não de protagonismo. A governadora deve concentrar forças na pré-candidatura de Cadu Xavier ao governo e, principalmente, na candidatura de Samanda Alves ao Senado. Nos bastidores, o discurso é claro: ela vai conduzir a campanha de Samanda como se fosse a sua própria.

E há um simbolismo forte nisso. A relação entre as duas não é recente — passa por confiança construída ao longo do tempo. Quando Fátima precisou se afastar de projetos pessoais e políticos no passado, foi em Samanda que confiou continuidade. Agora, repete o gesto, mas em escala muito maior.

A dúvida que fica é outra: haverá um segundo nome competitivo para o Senado dentro do grupo? E esse nome virá mesmo de uma aliança com outros partidos?

Por enquanto, o que está claro é o seguinte:

Fátima não será candidata — mas também não será coadjuvante.

prima@ prima@

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